3 de fevereiro de 2018

A Coisa Mais Importante - Capítulo II - O Retorno

Capítulo II – O Retorno

“Você despedaça meu coração
Antes de partir sem arrependimentos
Eu chorei por você, minhas lágrimas virando sangue
Estou pronto para me render.
Você diz que eu levo isso muito a sério
E tudo que eu peço é compreensão
Trago de volta pra você
Um pedaço do meu coração despedaçado
Estou pronto para me render”(1)




Dezessete anos atrás...

Sozinha nos Cinco Picos Antigos desde que o Mestre Ancião e Shiryu partiram para aquela que seria a última guerra, Shunrei sentia seus dias passarem arrastados. Esperava não sabia exatamente o quê pois talvez eles nunca voltassem, mas duas semanas atrás ela recebeu um telefonema de Saori avisando que a guerra chegou ao fim e eles saíram vitoriosos. Shiryu e os companheiros estavam no hospital em Atenas, muito feridos e seriam transferidos para Tóquio assim que possível. Quando isso acontecesse, ela mandaria buscá-la em Rozan.

Desde então Shunrei não teve mais notícias, por isso acreditava que Shiryu ainda estava se recuperando na Grécia. Como não restava mais do que rezar por ele e esperar, ela procurava maneiras de preencher seu tempo. 

Saiu para colher ervas medicinais no bosque mais uma vez, embora seu estoque já estivesse completo, e enquanto colhia um pouco de camomila, um helicóptero passou e o barulho chamou-lhe a atenção. Não era um fato tão incomum, às vezes alguma tevê vinha fazer reportagens em Rozan e geralmente sobrevoava em busca de imagens panorâmicas do lugar. Dessa vez, entretanto, o coração dela dizia que era outra coisa e quando o barulho começou a ficar cada vez mais perto, ela teve certeza: Shiryu já devia estar em Tóquio e vieram buscá-la. Largou a cesta de ervas e correu para casa o mais rápido que pôde. Estava preparada para ir, deixou a mala pronta, a bolsa arrumada com os documentos, era só o tempo de pegar tudo, mas quando chegou perto o suficiente viu que não era bem isso. Shiryu descia do aparelho com a ajuda do piloto, sob uma chuva de pétalas do pessegueiro em frente à casa, o qual estava pesado de flores.

Ela correu ainda mais rápido e o abraçou o mais forte que conseguiu.

– Shiryu... – ela murmurou, ainda agarrada a ele, ofegante por causa da corrida. – Eu estava tão preocupada!

– Agora está tudo bem – ele disse. Estava sentindo dor nas costelas, bem onde ela abraçava, e em muitos outros lugares, mas não podia nem queria reclamar porque sentiu tanta falta desse contato com ela.

– Eu estou tão feliz!!

– Eu também estou feliz por voltar para casa.

O piloto colocou no chão a caixa de Pandora e uma mochila, e entregou a Shiryu uma bengala, na qual ele se apoiou. Shunrei colocou a caixa nas costas e pegou a mochila.

– Não está muito pesado? – ele perguntou a ela, sorrindo.

– Até parece que eu não estou acostumada a carregar peso! – ela riu. – Sou uma garota forte da montanha!

– Está bem, garota da montanha – ele riu, depois voltou-se para o piloto e agradeceu.

– Não gostaria de ficar para o almoço? – Shunrei perguntou.

O homem agradeceu o convite, mas disse que precisava voltar imediatamente e entrou no helicóptero.

Apoiando-se na bengala e com Shunrei ao seu lado, Shiryu caminhou lentamente em direção à casa. Quando os dois se afastaram o suficiente, o piloto do helicóptero ligou o rotor e um novo turbilhão de flores os envolveu e invadiu a casa quando ela abriu a porta. Shunrei não se importou. Daria trabalho limpar depois, mas tudo bem, era um ótimo presságio ter Shiryu de volta em meio àquela nuvem cor-de-rosa. Era a vida colorindo sua existência novamente.

Ela pôs a caixa de Pandora no canto da sala onde ela sempre costumava ficar, colocou a mochila ao lado e ajudou Shiryu a sentar-se no sofá. Depois, sentou-se ao lado dele.

Eu mal acredito que você voltou! ela exclamou, fitando-o com ar de puro encantamento. Meu Deus, como eu esperei por isso! Estava tão preocupada. Rezei tanto por você. Tive tanto medo que não voltasse...

– Eu sei... E você, como está? Como passou esses dias?

– Agora estou ótima! Mas estava me sentindo muito sozinha. Essa casa fica muito triste sem você e sem o Mestre…

Shiryu engoliu em seco e abaixou o olhar.

– Ele está morto, não está? – ela deduziu através da expressão dele.

– S-sim – gaguejou Shiryu e engoliu em seco novamente. Passou a viagem pensando em como diria isso a ela que aquele que os criou como um pai tinha partido, mas ela se antecipou. – Ele se foi, Shunrei.

– De alguma forma, eu sabia. Onde está… o corpo?

Foi enterrado no Santuário junto com os companheiros dourados.

Quero ir lá algum dia – ela declarou. Prestar uma homenagem a ele.

Iremos… ele prometeu. – Algum dia iremos, mas agora somos só nós dois, Shunrei.

– Sim… Só nós dois… – ela repetiu, pensando no que isso significava exatamente para ele.

Amava-o com tanta intensidade que seu peito doía. Quando ele quase morreu naquela primeira vez, quatro anos atrás, ainda na Guerra Galáctica, ela soube que era capaz de qualquer coisa por ele. Teria dado seu coração para salvá-lo naquela ocasião. Agora o amava ainda mais que antes, mas pensava que talvez ele não a amasse na mesma medida. 

Ele se importava com ela, isso era um fato, mas talvez fosse apenas amor fraterno e gratidão. Às vezes parecia que ele a correspondia como homem, ela chegou quase a ter certeza em algumas ocasiões, porém em outras ele chegava a parecer incomodado com o amor que ela lhe dedicava, como no dia em que se despediram antes de ele partir para essa última guerra.  

“Tudo bem”, ela pensou, com lágrimas aflorando. “Eu posso cuidar de você enquanto você permitir, meu amor. O Mestre dizia que cada pessoa vem ao mundo com um propósito definido. O meu deve ser amá-lo sem exigir muito em troca.”

– Ah, você está enxergando! – ela disse, enxugando as próprias lágrimas e tentando deixar de lado suas dúvidas. – Fiquei tão empolgada que esqueci de comentar. Que maravilha!

– É, não muito bem, mas já é alguma coisa. Os médicos disseram para eu ir a um oftalmologista. Provavelmente vou precisar de óculos.

Bom, acho que você vai ficar lindo de óculos!

Shiryu sorriu e logo depois ficou pensativo, como se procurasse as palavras certas para continuar falando. Shunrei não interferiu, deixou que ele levasse o tempo que precisasse, mas ele acabou não falando nada, então ela resolveu quebrar o silêncio.
– Deixa eu tirar essas pétalas do seu cabelo – ela disse, e começou a fazê-lo.

– O seu também está cheio delas. A casa inteira está. Deixa isso pra depois. Vamos ficar assim, cobertos de flores.

Ele segurou o braços dela gentilmente e puxou-a mais para perto, fazendo-a quase sentar em seu colo.

– Eu preciso dizer uma coisa, Shunrei…

Ela o fitou expectante, imaginando se ele finalmente faria aquilo que ela tanto esperava. Que fosse, ela pensou, que suas dúvidas acabassem nesse momento, que ele dissesse finalmente que a ama, que as flores fossem mesmo um bom presságio!

– Essa vida que eu levo… – ele começou, tocando suavemente o rosto dela. – Eu sei que ela magoa você. Sinto muito por tudo que já fiz você passar. E enquanto estava lutando, me preocupei tanto com você. Pensei em você aqui sozinha... Se eu e o Mestre morrêssemos... Você nem imagina o tipo de coisa que passou pela minha cabeça. Você podia adoecer, se machucar e não haveria ninguém aqui. Mas agora a guerra acabou e realmente acredito que não vai recomeçar... Acredito que teremos tempo, então eu preciso saber…

Ele hesitou, deixando Shunrei ainda mais ansiosa. De repente, ela começou a duvidar de novo e a pensar que ele ia dizer que voltou somente para se recuperar e trazer notícias do Mestre, depois ia embora para sempre.

– Não, eu preciso que você saiba… – ele continuou. – Preciso que saiba que eu a amo e que se você ainda quiser esse soldado ferido na sua vida, estou pronto. Podemos recomeçar a vida juntos.

– Eu esperei tanto por isso, Shiryu  – ela respondeu, com os olhos novamente cheios de lágrimas, agora de felicidade, as quais ele enxugou com as costas da mão.

Depois, ele segurou o queixo dela suavemente e fixou o olhar no dela. Shunrei entreabriu os lábios, deixando claro que ele podia e devia ir adiante, o que ele fez. Encostou seus lábios nos dela, suavemente, apenas sentindo-os entre os seus e experimentando as novas sensações despertadas por esse primeiro beijo que, ainda meio tímidos e desajeitados, eles lentamente foram aprofundando. Deliciaram-se com a maciez cálida e úmida um dos lábios do outro e deixaram as línguas tocarem-se devagar, encontrando o encaixe perfeito aos poucos.

– Eu tinha tanto medo de que você não me quisesse dessa forma – Shunrei confessou depois do beijo. – Agorinha mesmo eu estava pensando nisso e que se esse fosse o caso, mesmo assim eu cuidaria de você…

– Sinto muito que tenha pensado assim... – ele disse, fazendo um carinho no cabelo dela. – Durante todos esses anos, eu só quis te proteger, por isso mantive meus sentimentos em segredo.

– Me proteger? – riu Shunrei, sem entender o que ele queria dizer.

– Eu não queria essa vida para você. Queria que você pudesse conhecer e amar alguém normal, que não precisasse passar por tudo que já fiz você passar. Até tentaram matá-la por minha causa…

– E quem te disse que eu quero uma vida “normal”? Eu quero a vida que você puder me dar. Eu te amo tanto, Shiryu. Eu amo você do jeito que você é, eu amo o que você é, eu tenho orgulho de você.

– E eu também te amo muito, Shunrei. Eu nunca te contei isso, mas quando lutei com o  Máscara da Morte, eu disse a ele que você era a minha coisa mais importante. Agora finalmente você sabe disso.

– Você é malvado por me fazer pensar esses anos todos que eu não era amada.

– Agora você sabe que é a mulher mais amada desse mundo!

Ela olhou para ele e depois ao redor. Estavam os dois e a casa inteira coberta de pétalas, ele ali finalmente se declarando, tudo contribuía para reforçar a atmosfera de sonho, mas era real. O beijo foi real. Então ela aninhou-se melhor no colo dele, cuidadosamente para não magoar os ferimentos. Ia pedir que ele a beijasse de novo, mas não precisou, porque ele sabia o que ela queria e também desejava o mesmo. Dessa vez, ousaram usar mais as línguas, um buscando a do outro, e só pararam quando perderam o fôlego.

Shunrei queria ficar mais no colo dele, mas saiu e sentou ao lado, por não saber ainda que ferimentos ele tinha exatamente.

– Tudo bem – ele disse. – Você é leve. Não estava me machucando.

– Melhor não abusar. O que você teve? Se machucou muito?

– Um monte de ferimentos como sempre. Fizeram uma cirurgia – ele levantou a camisa para mostrar o corte ainda com os pontos.

– Colhi muitas ervas nesses dias e vou fazer umas compressas cicatrizantes. Vai ficar bom logo.

– Não tem mais pressa. Estou em casa.

O estômago dele roncou, arrancando risadas dos dois.

– Parece que alguém está com fome – ela riu. – Vou preparar um almoço maravilhoso para nós dois! Andava sem vontade de cozinhar só para mim, então comia qualquer coisa, mas hoje é um dia muito especial, vou caprichar!

– Vá – ele disse e já foi pegando a bengala para se levantar também. – E eu vou começar a limpar essas flores…

– Não precisa, eu limpo depois. Não quero que se esforce. Venha comigo para a cozinha, me conte como foi lá na Grécia, conte tudo, eu quero te ouvir, quero ouvir sua voz. Senti tanta falta de você, mas tanta falta que às vezes parecia que eu escutava você falando meu nome, sabe? Achei que estava ficando louca, mas era só saudade e medo de você não voltar nunca mais, de nunca mais ouvir sua voz.

– Acho que não era isso – ele disse, acompanhando-a até a cozinha. – Acho que você ouviu seu nome quando eu estava mesmo pensando ou falando em você.

– Como isso seria possível, Shiryu?

– Cosmo… – ele respondeu, lembrando que não era a primeira vez que ela o manifestava. Podia ensinar algumas coisas a ela, podia treiná-la para usá-lo melhor. Faria isso depois… Por ora só queria mesmo o almoço gostoso que ela ia fazer, depois mais alguns beijos, e o jantar, e mais beijos... 

Tinham muitos anos de beijos para compensar e todo o futuro pela frente.

Continua...


((1)  Bleeding Heart, Angra




A Coisa Mais Importante - Capítulo I - Orgulho

Sinopse: Shunrei era sua coisa mais importante, sua doce e amada esposa, de quem ele tirava forças para seguir adiante, mas Shiryu achava que ela merecia muito mais do que o pesado fardo de ser a esposa de um cavaleiro.  Shiryu x Shunrei. Episódio G Assassino.

Saint Seiya não me pertence, mas a Masami Kurumada, Toei Animation. Episode G Assassin pertence a Megumu Okada. Com minhas fics, não ganho nada além de diversão.

Oi!
Essa fanfic conta como eu imagino a história de Shiryu e Shunrei no universo do mangá Episódio G  Assassino. O primeiro capítulo traz a cena onde ele volta ferido da luta com Sigurd, que já apareceu em “Quase Sem Querer”. A partir do próximo capítulo, a história entra num flashback que partirá da adoção de Shoryu até chegarmos de novo no tempo em que se passa o mangá.
Como o mangá ainda está em andamento, pode ser que precise de algumas adaptações no futuro, mas eu não aguento esperar, então aproveitei o aniversário de Shiryu, que é amanhã, para começar a postá-la. :3 #45
O título veio da frase que Shiryu fala para o Máscara da Morte na luta da casa de Câncer: “você menosprezou minha coisa mais importante”.  :3 Foi aí que eu me apaixonei por ele! XD
É isso!
Boa leitura!


A COISA MAIS IMPORTANTE
Chiisana Hana


“Me dê força no percurso
E luz no caminho
Antes que fique tudo escuro
Porque a escuridão tardará
E nunca me deixe
Você sabe que não poderia
Já que você é
A coisa mais importante que eu tenho”(1)


Capítulo I - Orgulho


Recostado na poltrona do shinkansen(2), Shiryu estava quieto, de olhos fechados, e respirava com dificuldade porque cada inspiração ou expiração era muito dolorosa. Tinha acabado de lutar novamente contra Sigurd e esteve muito perto da morte. Mais uma vez. Não morreu porque Seiya ressurgiu do nada. Mesmo sem poder lutar. Mesmo com a maldição da espada de Hades cravada nele.

Seiya… Shiryu tinha sonhado tanto com esse momento. Sigurd disse que os sonhos dos humanos não se realizam. Ele estava tão errado! Tinha realizado vários ao longo da vida e mais um tinha acabado de acontecer: Seiya estava de volta.

Não esperava que fosse reencontrar o amigo justamente no meio de uma batalha, mas eram cavaleiros, onde mais se reencontrariam?

“Posso ouvir a alma do meu amigo”, Seiya disse. E foi assim que ele o encontrou. Pressentiu o perigo. E veio. Era típico dele, o grande herói lendário. Seu amigo. Seu irmão.

No final, teve que salvar Seiya também. Era assim. Antes de tombar, mesmo fraco e tonto pelo esforço para expulsar o hálito paralisante de Fafnir do seu sangue, tinha conseguido salvá-lo. Era isso. Estavam ali um pelo outro. Estariam sempre. Para isso serviam os amigos.

“Por que não volta e deixa a gente cuidar de você?”, pensou Shiryu dolorosamente. “Não é um fardo. Te disse que não é. E Aiolos… o que era aquilo? Aiolos vivo, enfrentando Aiolia?  Não estava entendendo nada…

Ele já não conseguia concatenar as ideias. Os pensamentos iam e vinham sem lógica.
“Seiya… Por que não ficou? Como Shunrei vai reagir? O marido sai para um passeio com crianças e volta desse jeito…”

Então ele começou a tossir ruidosamente.

“Por que dói tanto respirar? O ar está queimando meus pulmões. Ainda é resquício de Fafnir?”

Shiryu notou que sua tosse assustou Hyoga.

“Quanto tempo até chegar em casa? Estou indo para casa? Não... Ouvi Hyoga falar em hospital... Devem estar me levando para Shun.”

Quando a tosse cessou, ele ficou quieto. O peito e as costas doíam ainda mais pelo esforço. Queria ir para casa, mas Hyoga estava certo. Precisava ser medicado. 

Assim que chegaram a Tóquio, foram direto para o hospital, onde Shun já estava esperando com uma cadeira de rodas a postos e o levou rapidamente para a sala de exames. Verificou que ele estava consciente, checou pulso e pressão, ambos alterados para menos.

– O que sente? – perguntou o médico.

– Dor – Shiryu respondeu. – Muita dor em tudo, mas dói principalmente para respirar. – Ele abriu os olhos. – E, para variar, não estou enxergando.

– Certo. Vou mandá-lo para alguns exames, checar se não quebrou nenhum osso. Acho que a dor para respirar pode ser de origem muscular, do esforço extremo que fez, mas é melhor checar as costelas. E você deve ter perdido muito sangue como sempre, você é especialista nisso, não é?

Shiryu confirmou. Tinha perdido muito sangue, se fosse um ser humano comum já estaria morto, mas como Shun disse, ele era um especialista.

– Shunrei já está sabendo?

– Não exatamente...

– Vou ligar para ela enquanto te levam para os exames.

Shun chamou um enfermeiro, o qual levou Shiryu, depois tirou o celular do bolso e ligou para Shunrei. No primeiro toque, ela atendeu.

– Shiryu está aí no hospital, não é? – ela perguntou, mas já sabia a resposta. Tinha sentido o cosmo dele expandindo-se vigorosamente e depois caindo ao ponto de quase sumir. Quase.

Desde o começo tinham essa ligação, essa coisa de saber o que o outro sentia, ainda que de forma indefinida. Com o passar dos anos, ele mesmo a ensinou a desenvolver melhor o cosmo de forma que ela sabia sempre como, onde e a que distância ele estava. Era uma vantagem para uma esposa, riam disso no dia a dia, mas agora com o retorno das batalhas ela não estava achando nenhuma graça sentir que ele estava sofrendo.

– É – Shun confirmou. – Hyoga o trouxe para cá assim que chegaram de Nikko. As coisas lá não saíram como esperado…

– Como ele está? – ela perguntou. Sentia que ele estava fraco, mas vivo.

– Mandei-o para uns exames, mas acredito que esteja só muito esgotado. Vou deixá-lo em observação essa noite.

– Certo. Estou indo, mas vou demorar um pouco porque estou no ateliê.

– Venha com calma. Ele está bem. Eu garanto.

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Shun checava os resultados dos exames de Shiryu quando Shunrei entrou em sua sala. Estava de calça jeans, camiseta rosa, com a chave do carro ainda na mão, e só de vê-la Shun teve certeza de que ela não tinha vindo dirigindo tão calmamente quanto ele recomendara.

– Oi, querida – Shun cumprimentou, abraçando-a gentilmente. – Ele está bem, já mediquei – ele adiantou, para tranquilizá-la, pois parecia bastante preocupada. Fiz uma transfusão de sangue porque, como sempre, ele perdeu muito. Estou com os exames aqui. Não tem nenhuma fratura. Ele só precisa de uns remedinhos e repouso, muito repouso.

– Essa parte é um pouco difícil porque ele é teimoso, você sabe.

– Eu sei… Ele precisa deixar de ser teimoso!

– Ele não vai deixar – riu Shunrei.

– Vem, ele já está no quarto. Vou deixar você conversar só um pouco e vou administrar um sonífero para ele relaxar. Ele precisa ficar quieto, precisa apagar pra relaxar completamente.

– Certo… – Shunrei assentiu e o acompanhou. – Muito obrigada, Shun.

– De nada. Shura ajudou o Hyoga a trazê-lo e agora está com ele.

– Ah, sim. Finalmente vou conhecê-lo. Shiryu sempre falou nele e agora que voltou jovem virou assunto de novo.

– Ele é um bom rapaz.

– Isso é tão estranho... Ele devia ser mais velho que vocês, mas é um adolescente.

– São muitas coisas estranhas acontecendo ao mesmo tempo ultimamente.

Shunrei assentiu. Nunca faltavam coisas estranhas nesse mundo de cavaleiros, mas nos últimos tempos elas tinham mesmo aumentado.

Quando os dois entraram no quarto, Shiryu conversava com Shura.

– Shunrei… – ele murmurou antes mesmo que ela o tocasse ou falasse.

Ela se aproximou da cama e fez um carinho no rosto de Shiryu, que abriu os olhos. Pelo olhar desfocado, Shunrei sabia que ele não estava enxergando. Era sempre assim. Se ele queimava demais o cosmo, a visão se perdia temporariamente. Às vezes voltava em algumas horas, em outras levava semanas.

– Estou aqui, meu amor… – ela disse, e segurou a mão dele.

– Quando vou para casa? – ele perguntou. Shun devia ter aplicado um analgésico bem forte pois a dor diminuíra consideravelmente.

– Quando estiver bem para ir – ela respondeu. – Agora é melhor descansar um pouco aqui no hospital.

Shun deu a volta na cama e ministrou o sonífero direto no soro.

– O Seiya… – Shiryu disse. – Ele apareceu lá. Ele me salvou, mesmo muito ferido.
Shunrei sorriu e acariciou a testa dele, afastando a franja. Sabia o quanto isso era importante para ele. Durante todos esses anos, ele sofreu muito pelo afastamento de Seiya.

– Fico feliz por saber disso, amor. Como ele estava?

– Ele logo vai dormir – Shun avisou baixinho.

– Parecia o mesmo – Shiryu respondeu. – Ele acha que vai ser um fardo para os amigos. Ele não precisa se isolar por isso... Se fosse assim eu...  nós...

– Quando ele aparecer de novo, diga que vá lá para a nossa casa. Eu cuido de você e dele.

Shiryu sorriu. Essa era a sua esposa. Sempre disposta a cuidar das pessoas. Sua doce e amada esposa... Sua coisa mais importante... Queria tanto ser melhor para ela... Ela merecia mais do que essa vida de sair e entrar de hospitais... Ela merecia muito mais... Ela merecia o mundo...

– Direi – ele falou, com a voz já meio empastada pelo sonífero que começava a fazer efeito.

– Agora descanse – ela disse, fazendo mais um carinho na cabeça dele, que logo adormeceu.

– Ele vai dormir direto por umas oito, nove horas – Shun disse. – Amanhã checo como ele está, se a dor melhorou e dou alta.

– Obrigada mais uma vez, Shun – Shunrei agradeceu.

– De nada, minha querida – ele disse. – Preciso ir agora. Qualquer coisa, mande uma mensagem que eu volto.

Ela assentiu e quando Shun saiu, voltou-se para Shura, que estava sentado numa cadeira, observando-os.

– Desculpe, nem falei direito com você – ela disse.

– Tudo bem. Eu entendo. Seu marido é um homem fora de série. Devia se orgulhar dele.

– Eu me orgulho! – ela respondeu, sentindo-se um tantinho indignada. O que o faria pensar que ela não se orgulhava? – Tenho muito orgulho do homem que ele é.

– Mas deve ser difícil para você quando acontece isso… quando ele se fere. E nós, cavaleiros, vivemos nos ferindo.

– Eu já estou acostumada – ela respondeu sorrindo. – São muitos anos de experiência. Somos o que somos, Shura. Vocês são cavaleiros. E eu sou a mulher de um cavaleiro. Com muito orgulho.

– Então ele tem muita sorte por ter uma mulher que compreenda dessa forma a vida dura e estranha que levamos… Isso é bem raro.

– Não é mesmo muito comum… Mas apesar de não ser uma amazona, eu cresci nesse mundo. Sei bem como é. Já passamos por muita coisa juntos.

– Vocês estão juntos há muito tempo?

– A vida inteira.

O celular de Shunrei tocou. Ela pediu licença e atendeu:

– Oi, filho! Sim, ele está bem. Estamos no hospital, Shun já cuidou dele, agora ele está descansando. Vamos passar a noite aqui. Você está bem? Certo. Amanhã cedo eu ligo. Se alimente direito! Você fica focado nos treinos e esquece de comer! E não fique do lado de fora à noite se não estiver bem agasalhado. Não reclame! Eu sou sua mãe, tenho que fazer meu papel! Também te amo.

– Não sabia que tinham um filho – Shura disse quando ela terminou. – Desculpe, foi impossível não ouvir.

– Temos! – ela respondeu empolgada. – É um lindo rapaz chamado Shoryu. Está em Rozan agora.

– Shoryu... – disse Shura, pensativo.

De repente, o jeito paternal de Shiryu nas termas fez sentido. Ele de fato tinha um filho adolescente. Era um pai zeloso fazendo com ele o mesmo que faria com o filho.

– Ele é um pouco mais novo que você – Shunrei continuou. – E é muito maduro e responsável para a idade, parece muito com o pai nesse sentido, mas ainda é um adolescente, tenho que controlar algumas coisas.

– Compreendo... – Shura disse, sorrindo. – Gostaria de conhecê-lo algum dia.

– Claro! Quando ele vier, vamos te chamar para uma visita.

– Eu aceitarei. Bom, agora que Shiryu não está mais sozinho, eu vou indo. Foi um prazer conhece-la, senhora.

– O prazer foi meu, Shura. Obrigada por ter ficado com ele.

– Foi uma honra – ele respondeu e saiu, pensando que Shiryu tinha mesmo muita sorte. Vasculhou a memória e não conseguiu lembrar de mais ninguém, em toda a história dos cavaleiros de Athena, que tivesse conseguido a proeza de formar uma família como ele.

Continua...

(1)   La Cosa Più Importante, Arisa
(2)   Trem-bala.

7 de abril de 2013

Primavera Graciosa e o Dragão Roxo



Considerações Iniciais: Essa história nasceu de uma conversa muito louca com a minha querida amiga Saphira. Falávamos sobre japonês e a Saph analisava uns kanjis, até que tivemos a ideia de analisar os kanjis referentes aos nomes de Shiryu e Shunrei. Eu sempre tinha visto por aí que o nome da Shunrei significava “Flor do Campo”, “Bela Flor” e similares. Até que a Saph me chamou a atenção para uma coisa: não era flor, era primavera. Primavera Bela, Primavera Graciosa. Não uma só flor. A primavera inteira! Aí veio a ideia para essa história que eu considero uma das melhores coisas que escrevi. Amo demais e espero que vocês gostem também. 


PRIMAVERA GRACIOSA E O DRAGÃO ROXO
Chiisana Hana


“As coisas precisam seguir seu curso natural”, disseram-lhe como justificativa para confiná-la a um cômodo pequeno durante três quartos do ano. Para que não interferisse nas estações, só podia sair na primavera e algumas poucas vezes no começo do verão.  Fora dessas épocas, saía somente se fosse absolutamente necessário, como em caso de doença, mesmo assim, era carregada para que seus pés não tocassem o chão. Quando tinham condições, pagavam um riquixá, mas a mãe, viúva, mal podia manter as duas.  Não tinha os tradicionais e cruéis ‘pés de lírio’, felizmente. A mãe não tivera coragem de impor tamanho sofrimento à menina. Bastava a maldição que ela carregava desde que nascera. Além do mais, de que adiantaria ter pés de lírio se, do jeito que ela era, jamais arranjaria marido?
A mãe deu-lhe o nome de Primavera Graciosa porque já em seu primeiro banho, assim que os pezinhos tocaram a água, minúsculas florezinhas espocaram. Mais tarde, quando começou a aprender a caminhar, seus passinhos inseguros salpicavam o chão de flores e a mãe ia atrás, arrancando tudo que brotava.
Acostumou-se desde muito cedo a usar um sapatinho de sola reforçada com madeira e mesmo isso não era suficiente, pois onde seus pés tocavam, florescia. Às vezes, a depender do seu humor, brotavam do solo flores imensas em questão de segundos. Quando entrava na água, logo ninfeias e outras flores aquáticas começavam a surgir. Certa vez, quando se banhava no lago, tinham sido tantas que, com medo de emaranhar-se nas raízes, ela saiu correndo para casa, deixando no caminho um rastro de flores azuis.
Restrita a seu quartinho durante três estações, passava os dias sobre a cama, costurando e bordando. Quando eventualmente resolvia andar pelo cômodo, precisava sair arrancando as flores que brotavam. Apenas uma ela não teve coragem de arrancar: a touceira de flor do dragão, que aparecera num dia em que ela se sentia particularmente triste. Estava chovendo e ela queria sentir a chuva tocando-lhe a pele, mas a mãe não deixou que saísse. Então, saiu da cama, abriu a janela e esticou a cabeça para fora, molhando-se. Ali, no cantinho abaixo da janela onde seus pés tocaram, nasceu a planta. Lembrava que a tinha achado estranha quando viu surgir aquela coisinha meio feiosa parecida com um cacto. Sempre apareciam plantas de flores e folhas abundantes, nunca antes tinha nascido uma suculenta. Resolveu deixá-la ali por que era diferente, tal como ela mesma. Era só uma suculentinha sem flores afinal. Até que um dia a pequena surpreendeu-a com um tímido cacho de flores pendendo para baixo, como sinos, que se abriram quando ela chegou perto. Não eram lá muito bonitas, mas sem saber o porquê ela ficou encantada com o tom intensamente vinho delas, algumas quase roxas. Cheirou-as. Não tinham um perfume muito agradável, mas só se sentia se chegasse muito perto. Assim, deixou a flor do dragão ali, no cantinho do quarto, e se encantava toda vez que um novo cacho de flores surgia e se abria. A mãe contou-lhe uma lenda sobre a planta, dizendo-lhe que recebera esse nome porque surgira do sangue que jorrara de um dragão que fora morto por desvirginar uma donzela. Primavera Graciosa riu e disse que dragões não existiam. 
Quando a primavera chegava, seu dom, que a mãe chamava de maldição, era bem-vindo e, por algumas horas todos os dias, ela podia andar livremente, de pés descalços, deixando que tudo florescesse ao seu redor e na água onde se banhava. Voltava para casa satisfeita, sentindo-se livre e ansiando por outro dia, outra saída, mais algumas horas do lado de fora, milhares de flores ao seu redor.

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Ele tinha sido condenado a viver em sua caverna por toda a eternidade. Saía de lá poucas vezes, atravessando a cachoeira que escondia seu lar, e não podia se afastar muito dali. Era seu castigo por ter amado e ele o aceitou sem resistir. Não se arrependia de ter enfrentado tudo pela moça que tanto amara, mas já tinha sido há tanto tempo... Ele estava cansado de viver sozinho. Estava na Terra há milênios e enfrentava a solidão cumprindo sua missão de zelar pelas águas.
Sabia de tudo que acontecia lá fora através do que a chuva lhe murmurava. As gotas diziam o que haviam tocado e quando, falavam dos cheiros e dos sabores dos quais ele tanto sentia falta. Mas eram sempre as mesmas histórias e ele já estava cansado de ouvi-las através dos tempos. Até que um dia os murmúrios despertaram novamente sua atenção, pois falavam de uma moça com pés de primavera e ele não entendeu direito o que as gotas queriam dizer.
“Pés de primavera?”, perguntou. E as gotas disseram que onde os pés dela tocavam nascia uma flor. Ele se perguntou como nunca antes as gotas tinham falado dela e, embevecido, chamou o vento e disse que entregasse a ela um presente. Soprou uma sementinha vaporosa da flor que tinha seu nome e o vento, seu amigo, levou até ela.
As gotas disseram que ela ficara maravilhada com o presente e que mantivera a plantinha em seu quarto. O dragão sentiu-se iluminar. A partir de então, passava os dias ansiando por notícias da tal moça com pés de primavera. Ouvia atento tudo que o vento, a chuva e a terra lhe diziam. Até que as notícias pararam de chegar. Simplesmente não tinham visto mais a moça. Ele então se enfureceu e provocou uma tempestade. Choveu por vários dias e noites sem parar e ele pedia notícias à chuva, mas ela não sabia nada. E ele se impacientava cada vez mais, mandava mais chuva, mais chuva.
Pediu ajuda à terra, implorou que lhe dissesse onde ela estava, mas a terra disse que não sabia dizer onde encontrá-la.
Os dias passavam e ele continuava fazendo chover na tentativa de encontrá-la. O vento compadeceu-se dele e soprou as janelas com força, procurando-a. As gotas perguntaram ao rio se a tinham visto, mas ele disse que há muito ela não aparecia. E o dragão mandava mais chuva...

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Sob o retumbar dos trovões e a chuva torrencial, vários aldeões reuniram-se em frente à casa de Primavera Graciosa.
“Como é?”, perguntou a mãe. “Querem que ela saia?”
“Sim!”, responderam em coro.
“Já passa da época desse inverno maldito acabar”, disse um.
“Desse jeito, vamos morrer afogados”, outro completou. “Primavera precisa sair para acabar com a chuva.”
“E quem garante que se ela sair, não vai florescer tudo desenfreadamente e continuar a chover mesmo assim?”, argumentou a mãe.
“Precisamos arriscar”, foi o que ela ouviu em resposta e, resignada, foi chamar Primavera. A moça encontrava-se encolhida na cama há semanas, sem ânimo para se mexer, desde que a mãe arrancara sua flor de dragão. Nesse dia, Primavera tinha ficado de pés no chão por horas e o quarto inteiro cobriu-se das mais variadas flores, exceto a do dragão. Entristecida, resumiu-se à cama. Só saía dali para assear-se, com seus sapatinhos reforçados, e passava os dias encolhida, numa melancolia de dar dó. Sobressaltou-se quando a mãe entrou no quarto de chofre.
“Venha, filha”, disse ela. “Os vizinhos estão chamando.”
“Eu não quero ver ninguém”, grunhiu Primavera, arisca, e cobriu-se com o lençol.
“Eles querem que você saia.”
Primavera deu um salto e abriu um sorriso luminoso.
“Sair? Sim, eu vou! E na chuva! Eu sempre sonhei em sair na chuva!”
Descalça, colocou um pé para fora de casa e ali brotou uma touceira de roseira-brava, deu outro passo, brotou um pé de gerânios. Foi andando, sentindo a chuva no rosto, nos cabelos. Que alegria sentia! Rodopiava pelo chão enlameado e escorregadio, caía, levantava, tornava a rodopiar, as flores espocando sem controle onde os pés tocavam. Maravilhados com o espetáculo, os aldeões demoraram a notar que os trovões cessaram e a chuva começava a diminuir.
Em sua caverna, o dragão acordou com o burburinho da chuva. Todas as gotas falavam ao mesmo tempo em que ela apareceu, que estava dançando sob a chuva, e a terra contava que ela estava feliz e por isso saíam as flores mais bonitas estavam saindo dos seus pés, e o vento entrelaçou-se aos cabelos negros dela e trouxe seu perfume, que o dragão aspirou enlevado.
Na casa de Primavera, irromperam centenas de flores do dragão, com seus cachos violáceos, e a cada minuto surgiam novos brotos e eles cresciam em segundos e saíam mais cachos de flores.
A chuva cessou por completo e sol se abriu, mas Primavera continuou dançando lá fora. A mãe quis forçá-la a entrar, mas ela se recusou. Corria alegre, agora com o sol tocando seu rosto pálido. Até que, num rodopio, faltou-lhe o chão. Estava flutuando, sendo carregada pelo vento. Alguns aldeões tentaram segurá-la, mas foi inútil, o vento a levava mais alto e mais longe a cada lufada. E ela deixava-se ir, deliciando-se com a sensação de voar livre mesmo sem ter asas, sentindo-se uma pétala ao sabor do vento.
Pousou horas depois na beira de um lago onde caía uma cachoeira, não sabia a que distância de casa, mas certamente muito longe. De trás da cortina de água, saiu um dragão. Ela não se assustou. Olhou extasiada para o animal mítico, que ela nem acreditava que existia, e suas escamas arroxeadas, os expressivos olhos azuis, as poderosas garras que saíam dos dedos dele.
Quando o dragão se aproximou, dos pés de Primavera brotaram mais flores de dragão, milhares delas, abrindo-se por todos os lados, mesmo em lugares onde os pés dela nunca haviam tocado, um redemoinho de sinos vermelho-arroxeados, saindo da terra aos borbotões.
Com sua voz profunda, o dragão pediu que ela subisse em seu dorso. Ela o fez. Mesmo assim as flores não paravam de brotar. Agarrou-se aos longos bigodes do animal, ele deu uma guinada para frente e Primavera teve de segurar-se com mais força para não cair. O dragão flutuou, rodopiou no céu, e voou em direção à cachoeira, atravessando-a. Do outro lado, sua imensa caverna, que tinha um brilho nacarado, como o interior de uma concha, e abria-se para um vale verdejante. Primavera olhava o lugar extasiada. Estava acostumada a ver as plantas brotarem sem controle ao seu redor, mas nunca tinha visto nada tão bonito quanto o vale.
Acariciou o dragão e beijou-lhe as escamas, sentindo-se em comunhão com aquele ser que amou sem saber desde o dia em que a primeira flor de dragão abriu-se em seu quarto.
Quando enfim desceu do dorso do animal, tamanha foi a surpresa de Primavera ao ver que estava livre. Ali o chão não florescia ao toque dos seus pés.


Continua...

1 de agosto de 2008

Personagens Originais da série de "O Casamento"

****Rumiko****


Nome: Rumiko Akiyama
Idade: 17
Local de nascimento: Okinawa - Japão
Altura: 1,57m
Caracterísitcas:
Cabelos pretos, curtos, repicados. Olhos castanho-escuros.
Foi para os Estados Unidos para estudar Artes Cênicas. É colega de Hyoga no curso... Bom, mais que colega, né? Já ultrapassaram a fronteira da amizade. É dinâmica, direta, incisiva, independente. Gosta de roupas curtas e coloridas. Seu grande sonho é se tornar uma estrela do cinema.

****Nicoletta Madonna****

Nome: Nicola Sabati
Idade: 24 (hihihihihi)
Local de Nascimento: Siracusa - Sicília - Itália
Altura: 1,79m
Peso: 60kg
Características:
Quando era homem, tinha os cabelos escuros, agora é loira platinada. Olhos azuis. Juntou dinheiro e colocou silicone, agora usa sutiã tamanho 44. Adora ouro, roupas douradas, acessórios dourados (hihihihihi!). Antes trabalhava numa ruazinha obscura, agora é um travesti chiquetoso, frequenta as melhores boates atrás de clientes ricos... ("Eu era uma bibinha pobrinha e pão com ovo"... hihihihihihi! Salve, Christian Pior!). Amigo de infância de Máscara da Morte, foi o cavaleiro quem lhe ofereceu ajuda quando o pai o expulsou de casa. Fez um favorzinho para o Máscara na fic "Sorrisos, Segredos e Enganos" (não, não foi isso que vocês estão pensando!). Gente boa pra chuchu, só quer ser feliz, quem sabe até com um príncipe encantado.

*****Faltou algum personagem???
P.S.: Chiisana Hana agora postando também no Nyah! Fanfiction! Heheheheeh!

13 de janeiro de 2008

Personagens Originais de Mit Dir

****Dra. Ann****

Nome: Ann Dagsland
Idade: 32 anos
Local de Nascimento: Drammen, Noruega
Altura: 1,79m
Características:
Médica do pronto-socorro do Hospital Municipal de Narvik, Noruega.
Loira, olhos azuis, alta e magra. Pinta o cabelo de preto. Segura de si, um tanto impaciente e insensível. Tem um caso com o prefeito da cidade de Narvik, Linus Jensen.
Nas palavras da minha consultora-cutucadora, Fiat Noctum, Ann é "uma mulher de aço, que não se curva para ninguém e gosta de brincar de Deus quando tem a vida dos pacientes nas mãos." É isso mesmo. Quando ela está no centro cirúgico, gosta de pensar que tem algum tipo de poder divino.

****Prefeito Linus****

Nome: Linus Jensen
Idade: 35
Local de Nascimento: Asgard
Altura: 1,87m
Características:
Loiro, olhos azuis, alto, forte. Partiu de Asgard com o pais e os irmãos. Prefeito da cidade de Narvik, Noruega. Casado há dez anos com Grethe Jensen. Não tem filhos.
Linus é um homem bonito, de caráter duvidoso. Não mede conseqüências para se dar bem. Tem um caso com a dra. Ann Dagsland.

Quase Sem Querer - Capítulo IX - Parabéns

– Prontinho – Shunrei anunciou enquanto admirava sua obra concluída: o bolo esculpido em formato de gato para o aniversário de Natássia. O...