Para refletir...
Li esse texto no terminal de ônibus, esperando meu bususinho que demora uma eternidade passar. Eu adorei o livro inteiro, uma maravilhas, vários textinhos me emocionaram, mas esse foi especial porque me fez pensar que somos aquilo que queremos ser.
Extraído do livro Tudo que eu devia saber na vida aprendi no jardim-de-infância, de Robert Fulghum.
"GIGANTE, BRUXO E ANÃO. Era disso que íamos brincar. Tendo recebido a missão de tomar conta de quase oitenta crianças, entre sete e oito anos, enquanto seus pais saíam para fazer não sei quanta coisa que pai e mãe têm de fazer na rua, tratei de reunir minhas tropas no saguão social da igreja e expliqueilhes do que se tratava. A brincadeira é uma versão em grande escala do “Pedra, Papel, Tesoura” e envolve um certo grau de discernimento intelectual. Mas o grande objetivo, afinal, é conseguir o máximo de gritaria e correria possível, até que ninguém mais saiba de que lado está, e se
ganhou ou perdeu. Não é simples nem fácil organizar oitenta crianças, todas em máxima rotação, separá-las em grupos, explicar-lhes as regras do jogo e convencê-las a aceitar, sem berros e pontapés, o grupo onde
caíam, mas nós conseguimos, até que com boa vontade por parte das crianças, e estávamos prontos para começar. A animação geral ameaçava atingir níveis críticos e eu precisei berrar a plenos pulmões: “Vocês têm de decidir agora quem vai ser Gigante, quem vai ser Bruxo e quem vai ser Anão! E cada grupo,
num canto do salão”. Estavam os exércitos em plenas confabulações, cochichos, empurrões, quando senti que alguém puxava, doce mas firmemente, a perna da minha calça. Uma menina das menorzinhas, de pescoço esticado para cima, a voz séria e preocupada, que perguntou: “E para onde é que vão as Sereias?”
Pausa longa. Uma pausa muito longa. “E para onde é que vão as Sereias?”, disse eu. “É. Você sabe, é o meu grupo. Eu sou uma Sereia.” “É que... Sereia não existe.” “Ora, claro que existe. Eu sou uma Sereia.”
Ela não estava absolutamente interessada em ser Gigante, Bruxo ou Anão. Era Sereia e sabia da importância de sua categoria. Não concordaria jamais em ficar fora da brincadeira, nem admitiria verse
relegada a um canto de parede, lugar onde se iam juntando os que eram apanhados. Queria era entrar no jogo, participar, mas precisava saber onde as de sua espécie se encaixariam, na hierarquia geral das coisas. E isso sem abrir mão da identidade, da dignidade. Para ela, era claro que havia um lugar reservado para as
Sereias e eu lhe parecia ser a mais confiável das fontes de informação. Pois aí está! “Para onde é que vão as Sereias?” Todas as S ereias – todos os seres, reais e imaginários, que não têm lugar previsto na “ordem natural das coisas”, os que não cabem nem aceitam viver presos nas gaiolas, entre as paredes ou nos modelos que existem por aí? Encontre a resposta para essa pergunta, e você poderá construir uma escola, um país, um mundo! Mas quer saber como resolvi a questão, no hall social da igreja, “no calor da hora”? Tive uma inspiração de gênio. Disse:“As Sereias ficam aqui mesmo, de mão dada com o Rei dos Oceanos!” (É, bem aqui, de mão dada com o “Bobo da Corte”, pensei com meus botões.) E lá ficamos, mão na mão, assistindo ao combate insano dos Gigantes, Bruxos e Anões, que corriam, gritavam e suavam. Ah, e antes que me esqueça, não é verdade que Sereia não existe. Existe sim. Eu, pelo menos, já conheci uma, pessoalmente. Ela até me deu a mão. "
17 de novembro de 2007
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1 pessoas regaram a florzinha:
Que lindo ^^
Gostei desse trexo de livro, muito bonito Chizin ^^
Viu, as vezes eh bom q o onibus demore ^^ Era a hora de vc ler :D
Bjs
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